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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

SER NATAL



Ao fundo da rua, ao virar da esquina… encontramo-nos com muitas situações sangrentas que parecem apontar que Deus se cansou e, até, se foi embora, ou então decidiu ficar fechado nos templos.
Mas Deus nem escapou nem está fechado nas nossas Igrejas.
Deus continua aí fora entre os pobres, os marginalizados, os refugiados, os migrantes, as vítimas da violência e do ódio.
Então porque não vemos a sua presença?
Possivelmente porque faltam pessoas que o tornem presente e visível.
Não são super-homens, heróis de filmes de ação. Somos nós que estamos chamados a tornar realidade no mundo de hoje a encarnação de Deus.
Deus não se encarna por magia. Não desce de um céu perdido e de maneira espectacular. Deus encarna-se e pode continuar a nascer no nosso mundo somente se nós estivermos dispostos a torna-lo presente e visível no meio das situações de dor, de sofrimento, de injustiças… mas também de esperança e de alegria.
Não é Ele quem está ausente. Somos nós que não criamos os espaços e os caminhos para que a sua Boa Nova, a Palavra feita carne possa transformar o nosso mundo e fazer com que a nossa sociedade seja mais humana.
O desafio para cada um de nós não é celebrar o Natal. É SER Natal para todos. Ser o sinal palpável da presença de Deus no mundo. É esta a nossa tarefa: Ir e “anunciar que o Reino de Deus está próximo”, que “o Reino de Deus está no meio de vós”. É através de nós que a humanidade pode experimentar a proximidade de Deus que caminha connosco em cada lugar do mundo e em toda e qualquer situação humana.
Para celebrarmos e sermos Natal, digno desse nome, temos de conjugar o verbo dar. Conjugou-o o Pai: Deu-nos o seu FILHO unigénito. Conjugou-o Maria: Maria deu à luz o seu filho primogénito para que fosse a nossa Luz.  E temos de o conjugar nós partilhando com os irmãos o pão e a consolação, a ajuda e o amor misericordioso.

Feliz Natal! 

P. António Lopes - Director Nacional das OMP
Imagem: Marko Ivan Rupnik

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

IDE PELO MUNDO INTEIRO E ANUNCIAI O EVANGELHO



Estamos a poucos dias do Dia Mundial da Missão, o próximo domingo dia 21. Um dia que nos é dado como uma boa ocasião para revigorar a fé. A fé que nos faz rasgar horizontes, derrubar barreiras e ver a vida como um dom de Deus. Um dom que queremos anunciar.

«Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho» (Mc 16, 15). Este foi o mandamento explícito do Senhor aos seus discípulos antes de subir ao céu. Através dos séculos os cristãos escutaram estas palavras e acolheram-nas. Cada geração deve escutar e acolher este mandamento missionário de Cristo e é a nós, hoje, que compete fazê-lo nas circunstâncias históricas em que vivemos.

Acreditar, para os primeiros cristãos, não era nem um suplemento, nem uma realidade supérflua da sua existência. Era algo de decisivo. Eles viviam com a consciência clara de serem a luz do mundo e o sal da terra, e que a Boa Nova do Evangelho era o fermento no meio da massa de uma sociedade pagã. 

Ide, significa ir ao encontro dos outros. Ir à sua procura. É preciso encontrar o homem que perdeu o caminho do seu ser cristão. Ir para evangelizar o vasto mundo do trabalho, da cultura e da sociedade para que cada uma das profissões sejam exercidas com justiça e caridade evangélicas.

Ir significa começar a viver um cristianismo dinâmico  cheio de zelo para não o deixar reduzir às cinzas de uma fé rotineira ou de algumas práticas religiosas sem vida. De qualquer posto de trabalho e de todo o lugar, o cristão que experimentou a amizade de Cristo, viverá sempre com o ardente desejo de o dar a conhecer indo ao encontro do homem que sente sede de Deus.

O Evangelho não se anunciou de uma vez por todas na história. Ele tem de ser proclamado com ardor em cada época. Pertence-nos a nós proclamá-lo com vigor e com paixão na nossa época.

Mas não basta sair à rua ou empregar novas fórmulas de apostolado se no interior de cada um de nós não pulsar um coração de apóstolo. É necessário, antes de mais, formar um coração apostólico. É preciso lembrar que se é apóstolo a partir do interior e que não são as circunstâncias exteriores que nos constituem como tal. Não somos apóstolos porque exercemos uma responsabilidade, uma actividade apostólica ou um ministério, nem porque desejamos vagamente fazer qualquer coisa pelos outros. Somos apóstolos por vocação, porque Jesus Cristo nos chamou a levar ao mundo inteiro o seu Reino de paz, de justiça e de amor. Somos apóstolos, cada um de nós, na medida em que estamos unidos a Cristo pela graça do baptismo e nos identificamos com a sua missão redemptora.   

A urgência do apostolado vem do interior, do amor que cada um professa na sua relação com Cristo. Se não existir um amor verdadeiro por Cristo e pelo próximo, não existe apóstolo autêntico. Ser apóstolo é a componente essencial do cristão. É por isso que anunciar o Evangelho não é uma tarefa ao lado de muitas outras. É a missão à volta da qual o cristão deve polarizar a sua vida. Não se é apóstolo a determinadas horas e a determinados dias. Toda a vida do cristão é uma vida apostólica porque cada momento da vida é uma ocasião propícia que Deus lhe oferece para a anunciar o Evangelho de Jesus e proclamar a vinda do seu Reino.

Que este dia Mundial da Missão seja para todos nós a ocasião propícia de renovarmos o nosso ser apóstolo do Reino de Deus. Sentirmos em nós o desejo ardente que todos os homens conheçam Jesus Cristo para que depois, com toda a liberdade e clareza de espírito possam dizer: "Eu também quero ser de Cristo".

Que através das vossas orações e dos vossos dons generosos, o Reino de Deus possa chegar a toda a humanidade. 

« Hoje não é o momento de esconder o Evangelho, mas de o gritar sobre os telhados» (Cf. Mt 10, 27 ).

Texto: P. António Lopes, SVD
Foto: Tony Neves