terça-feira, 31 de outubro de 2017

Carta do Papa em vista do mês missionário extraordinário - 2019



Carta do Papa em vista do mês missionário extraordinário - 2019

Ao Venerado Irmão
Cardeal Fernando Filoni

Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos

No dia 30 de novembro de 2019, ocorrerá o centenário da promulgação da Carta Apostólica Maximum illud, com a qual Bento XV quis dar novo impulso à responsabilidade missionária de anunciar o Evangelho. Estávamos no ano de 1919! Terminado um conflito mundial terrível, que ele mesmo definiu por «massacre inútil», o Papa sentiu necessidade de requalificar evangelicamente a missão no mundo, purificando-a de qualquer incrustação colonial e preservando-a daquelas ambições nacionalistas e expansionistas que causaram tantos revés. «A Igreja de Deus é universal – escrevia –, nenhum povo lhe é estranho», exortando ele também a rejeitar qualquer forma de interesses, já que só o anúncio e a caridade do Senhor Jesus, difundidos com a santidade da vida e as boas obras, constituem o motivo da missão. Assim Bento XV deu um particular impulso à missio ad gentes, esforçando-se, com os meios concetuais e comunicativos de então, por despertar, especialmente no clero, a consciência do dever missionário.

Este dá resposta ao perene convite de Jesus: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda criatura» (Mc 16, 15). Aderir a este mandato do Senhor não é opcional para a Igreja; é uma «obrigação» que lhe incumbe, como recordou o Concílio Vaticano II, pois a Igreja «é, por sua natureza, missionária». «Evangelizar constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar. A fim de corresponder a tal identidade e proclamar Jesus crucificado e ressuscitado por todos, como Salvador vivente, Misericórdia que salva, «a Igreja, movida pelo Espírito Santo, deve – afirma também o Concílio – seguir o mesmo caminho de Cristo: o caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação própria até à morte», de modo que comunique realmente o Senhor, «modelo da humanidade renovada e imbuída de fraterno amor, sinceridade e espírito de paz, à qual todos aspiram».

Aquilo que há quase cem anos Bento XV tinha a peito e que o documento conciliar nos está a recordar há mais de cinquenta anos, permanece plenamente atual. Hoje, como então, «enviada por Cristo a manifestar e a comunicar a todos os homens e povos a caridade de Deus, a Igreja reconhece que tem de levar a cabo uma ingente obra missionária». A propósito, São João Paulo II observou que «a missão de Cristo redentor, confiada à Igreja, está ainda bem longe do seu pleno cumprimento» e que «uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão está ainda no começo, e que devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço». Por isso ele, com palavras que eu gostaria agora de repropor a todos, exortou a Igreja a um «renovado empenhamento missionário», convicto de que «a missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. É dando a fé que ela se fortalece! A nova evangelização dos povos cristãos também encontrará inspiração e apoio, no empenho pela missão universal».
 Ao recolher na Exortação Apostólica Evangelii gaudium os frutos da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, convocada para refletir sobre a nova evangelização para a transmissão da fé cristã, quis apresentar de novo a toda a Igreja a mesma impelente vocação: «João Paulo II convidou-nos a reconhecer que “não se pode perder a tensão para o anúncio” àqueles que estão longe de Cristo, “porque esta é a tarefa primária da Igreja”. A atividade missionária “ainda hoje representa o máximo desafio para a Igreja” e “a causa missionária deve ser (…) a primeira de todas as causas”. Que sucederia se tomássemos realmente a sério estas palavras? Simplesmente reconheceríamos que a acção missionária é o paradigma de toda a obra da Igreja». 

E tudo aquilo que pretendia expressar continua ainda a parecer-me inadiável: «possui um significado programático e tem consequências importantes. Espero que todas as comunidades se esforcem por atuar os meios necessários para avançar no caminho duma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão. Neste momento, não nos serve uma “simples administração”. Constituamo-nos em “estado permanente de missão”, em todas as regiões da terra». Com confiança em Deus e muita coragem, não temamos empreender «uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à auto-preservação. A reforma das estruturas, que a conversão pastoral exige, só se pode entender neste sentido: fazer com que todas elas se tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de “saída” e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade. Como dizia João Paulo II aos Bispos da Oceânia, “toda a renovação na Igreja há de ter como alvo a missão, para não cair vítima duma espécie de introversão eclesial”».

Com espírito profético e ousadia evangélica, a Carta Apostólica Maximum illud exortara a sair das fronteiras das nações, para testemunhar a vontade salvífica de Deus através da missão universal da Igreja. A aproximação do seu centenário sirva de estímulo para superar a tentação frequente que se esconde por detrás de cada introversão eclesial, de todo o fechamento autorreferencial nas próprias fronteiras seguras, de qualquer forma de pessimismo pastoral, de toda a estéril nostalgia do passado, para, em vez disso, nos abrirmos à jubilosa novidade do Evangelho. Também nestes nossos dias, dilacerados pelas tragédias da guerra e insidiados pela funesta vontade de acentuar as diferenças e fomentar os conflitos, seja levada a todos, com renovado ardor, e infunda confiança e esperança a Boa Nova de que, em Jesus, o perdão vence o pecado, a vida derrota a morte e o medo e triunfa sobre a angústia.

Com estes sentimentos, acolhendo a proposta da Congregação para a Evangelização dos Povos, proclamo outubro de 2019 como Mês Missionário Extraordinário, com o objetivo de despertar em medida maior a consciência da missio ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral. Poder-nos-emos preparar convenientemente para ele já através do mês missionário de outubro do próximo ano, de modo que todos os fiéis tenham verdadeiramente a peito o anúncio do Evangelho e a transformação das suas comunidades em realidades missionárias e evangelizadoras; e aumente o amor pela missão, que «é uma paixão por Jesus e, simultaneamente, uma paixão pelo seu povo».
  A ti, venerado Irmão, ao Dicastério a que presides e às Obras Missionárias Pontifícias, confio a tarefa de pôr em marcha a preparação deste acontecimento, especialmente através duma ampla sensibilização das Igrejas Particulares, dos Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica, bem como das associações, movimentos, comunidades e outras realidades eclesiais. Que o Mês Missionário Extraordinário se torne uma ocasião de graça intensa e fecunda para promover iniciativas e intensificar de modo particular a oração – alma de toda a missão –, o anúncio do Evangelho, a reflexão bíblica e teológica sobre a missão, as obras de caridade cristã e as ações concretas de colaboração e solidariedade entre as Igrejas, de modo que se desperte e jamais nos seja roubado o entusiasmo missionário.

Do Vaticano, no dia 22 de outubro – XXIX Domingo do Tempo Ordinário, Memória de São João Paulo II, Dia Mundial das Missões – do ano de 2017.


FRANCISCUS

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

X CONGRESSO AIIC (26 a 28 Outubro 2017) - Almada


A meio da ponte rumo ao futuro
Modelos editoriais e empresariais para a imprensa de inspiração cristã

A Associação de Imprensa de Inspiração Cristã (AIC) vai analisar que modelos editoriais e empresariais devem ser assumidos pela imprensa regional. Durante 3 dias, o tema vai estar em análise num Congresso, que inspira o decorrer dos trabalhos na travessia de uma ponte, nomeadamente a que liga as margens do Tejo, junto à foz.
O X Congresso da AIC vai decorrer no Convento dos Capuchos, em Almada, entre os dias 26 e 28 de outubro de 2017, e colhe no imaginário da ponte o itinerário para os debates que propõe aos participantes. Primeiro, para identificar a relevância da imprensa regional, nomeadamente a de inspiração cristã, ao longo da história; depois para avaliar a tensão em curso em muitos títulos, nomeadamente entre o papel e o pixel, o impresso e o digital; indicando, num terceiro momento, que modelo empresarial e editorial deve ser assumido pelos títulos da AIC, no contexto atual.
O Congresso inicia e encerra com duas grandes conferências, a primeira sobre a comunicação como identidade do cristão, discipulomissionário, em todos os tempos; e a última para oferecer sínteses inspiradoras e programáticas para quem tem a missão, nos dias de hoje, de dar relevo e dinamismo aos títulos da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã.
O X Congresso da AIC inclui ainda o momento celebrativo dos 25 anos da Associação de Imprensa de Inspiração Cristã, que se assinala este ano, e vai ser divulgado brevemente.



Informações: www.aiic.pt

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

XVIII FÓRUM ECUMÉNICO JOVEM 2016 - Aveiro


Atacar e matar todas as fomes

‘Dai-lhes vós de comer’ (Mt 14,16) foi a ordem de Jesus que se transformou em lema da XVIII edição do Fórum Ecuménico Jovem (FEJ 2016), realizado a 12 de Novembro no Seminário de S. Joana Princesa.

D. António Moiteiro, Bispo de Aveiro, cumpriu bem o seu papel de anfitrião dando as boas vindas e participando neste FEJ. D. Sifredo Teixeira, Presidente do Conselho Português das Igrejas Cristãs, também saudou os cerca de 300 jovens idos de muitos pontos do país.

O aprofundamento do tema coube ao P. João Gonçalves, responsável pela coordenação da pastoral prisional católica e por diversas obras sociais em Aveiro. Chamou a atenção para a tentação de ‘mandar a malta embora’ quando o que se exige é convidar a sentar e repartir o pão, como fez Jesus. É preciso ver a multidão com problemas, senti-los, ter compaixão e tentar resolver. O tema do FEJ surgiu do Ano Europeu contra o Desperdício Alimentar, proposto pela União Europeia.  Por isso, o P. João lembrou números da FAO /ONU que dizem que cada pessoa da Europa desperdiça 132 kgs de comida por ano! Evocou ainda outras fomes como a de escuta, de afectos e de valores. Concluiu que temos que ter olhos no coração e ser a voz e a vez dos sem vez e sem voz.

O tempo de reflexão em grupos (20) permitiu aprofundar o tema e reflectir a partir de questões e de objectos escolhidos pela organização.

Mantendo uma tradição que vem do I FEJ (1999), o almoço foi partilhado, sendo um tempo e  um espaço de  confraternização entre os jovens vindos de várias partes de Portugal e pertencentes a diversas Igrejas.

A tarde deveria ser de saída às ruas de Aveiro para descobrir muros e pontes construídas para unir ou separar as pessoas. Mas a chuva obrigou a alterar planos e os 20 grupos partilharam as reflexões, com o P. João comentar e complementar. Também houve tempo para se escutar a história dos XVII FEJs já realizados, bem como de outras iniciativas promovidas pela Equipa Ecuménica Jovem.

Momento alto foi o da Celebração Final com a participação das três centenas de jovens e de uma quinzena de hierarcas das Igrejas. Simbólica foi a partilha de um grande pão pelos jovens e a colocação, junto ao altar da Capela do Seminário, de numerosos produtos de higiene que os jovens ofereceram às Florinhas do Vouga, uma das Obras Sociais da Diocese de Aveiro.

Na hora da despedida era grande a cumplicidade que já se sentia entre os jovens e a gratidão especial aos departamentos de Aveiro da Pastoral Juvenil das Igrejas Católica e Metodista, anfitriões. As Igrejas organizadoras (Católica, Metodista, Lusitana e Presbiteriana) prometem já a edição do XIX FEJ em Novembro de 2017.




Texto: Tony Neves
Fotos: João Fernandes

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

NÃO PODES IR MAS PODES AJUDAR…



A missão é de Deus na qual somos chamados a cooperar. O Mês Missionário tem a sua origem no Dia Mundial das Missões (penúltimo domingo do mês de outubro). A data foi instituída pelo papa Pio XI em 1926, como um Dia de oração e ofertas em favor da evangelização dos povos.  O objectivo é incentivar, nas Igrejas locais, a cooperação missionária. São apenas alguns os missionários e missionárias que partem. Porém, toda a comunidade tem o dever de participar ativamente na missão universal. Essa cooperação realiza-se de três formas: 1º pela oração, sacrifício e testemunho de vida; 2º por meio da ajuda material aos projetos missionários; 3º colocando-se à disposição para servir na missão ad gentes. As missões precisam de missionários e missionárias. Não podes ir mas podes ajudar! 

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

JORNADAS MISSIONÁRIAS 2016



JORNADAS MISSIONÁRIAS 2016 

As Jornadas Missionárias que se realizam nos dia 17 e 18 de Setembro em Fátima, têm como tema: “Missão com histórias de misericórdia”. 

O Papa Francisco diz-nos: “A missão (…) faz parte da “gramática” da fé, é algo de imprescindível para quem se coloca à escuta da voz do Espírito que sussurra “vem” e “vai” (Mensagem para o dia Mundial das Missões 2015). E convida-nos a “Olhar a missão ad gentes como uma grande, imensa obra de misericórdia quer espiritual quer material”, convidando-nos todos a “sair”, como discípulos missionários” (Mensagem para o dia Mundial das Missões 2016).

O missionário impulsionado por esse “sussurro do Espírito” vê a realidade, onde quer que se encontre, desde o coração de Deus. Daí a necessidade de estar sempre atento, desperto, olhando a realidade com olhos novos, porque em qualquer momento pode surgir algo de maravilhoso.
Das múltiplas realidades calcorreadas pelos missionários, da Amazónia ao Sudão, do Japão à República da África Central, da Síria até Portugal, onde a realidade parece toldar o olhar e entristecer o coração; onde tudo parece incerto, ameaçador e, até, misterioso, o missionário com uma sensibilidade diferente, sente no seu coração a certeza da criatividade de Deus que não nos deixa à superfície das coisas mas nos leva até à interioridade de tudo o criado.

O missionário sabe que a fé é um dom que não se pode guardar, nem sequer nos lugares onde manifestá-la o põe em perigo, nomeadamente nos países do Médio-Oriente. Ele só quer que a chama de Jesus ressuscitado ilumine outras pessoas e outras realidades. Ele sabe que a força não está no número, mas no ardor que coloca em viver a Paixão por Jesus e o seu Reino.

É nos Evangelhos que o missionário descobre como agir à maneira de Jesus. Ele vê como Jesus se aproxima das pessoas, caminha com elas, ouve-as, faz-lhes perguntas, ensina-as com paciência, trata-as com ternura, mostra-lhes a sua misericórdia com gestos de amor, libertando-as de todo o mal.
A missão é todo este retrato de Jesus em acção. É o saber caminhar com as pessoas nos seus ambientes próprios e levá-las a descobrir a presença de Jesus Cristo nas suas vidas, enchendo-as de alegria e esperança, capaz de gerar processos de conversão, discipulado, comunhão, solidariedade e, naturalmente, missão em cada situação humana e em cada pessoa.
 
As Jornadas Missionárias são para todos nós a ocasião de escutar, ver e palpar as histórias de misericórdia de homens e mulheres que no encontro, no diálogo e na procura mútua procuram ajudar a Igreja a “sair” de si mesma e dar resposta, desde o Evangelho, a este mundo plural e necessitado de muito amor e misericórdia.

As inscrições online  estão abertas. Contamos convosco!!!
Link para o formulário online: http://www.opf.pt/index.php/jornadas-missionarias-2016/online-jornadas
 
P. António Lopes, SVD
Director Nacional OMP

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Encontro - Formação - Infância Missionária


No dia 23 de Abril de 2016 realizar-se-á um encontro de formação para todos os responsáveis da Infância Missionária das dioceses. Este segundo encontro orientado pelo P. John Mário iniciará os trabalhos, às 09H30, no Seminário do Verbo Divino, em Fátima, abordando três pontos centrais:

1. Metodologia e a pedagogia da Infância Missionária
2. Formação de equipas
3. Envio missionário