quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

FELIZ NATAL - Natal em clave de Sol




Natal em clave de Sol

Do. É o dom de voltar a começar cada dia, cada ano. Mas não como um destino do tempo, sucessivo que é mais do mesmo. Não. Um dom que é novo como a “Nova Evangelização”. Um dom que é uma oportunidade para aprender a esperança. O Natal significa que mesmo a crise não deve levar a posturas de passividade e de fatalismo. É o tempo para descobrirmos uma melodia nova até darmos com o tom adequado.
Re. Recordar e percorrer o caminho até Belém é tarefa de cada Natal. Recordar o futuro que já está oculto no passado. As mil e uma possibilidades latentes que esperam o tempo oportuno para se tornarem realidade.
Recordamos que vivemos sob o tempo de Deus e que Deus é fiel à sua promessa de levar o mundo à sua plena realização. E esta convicção alimenta a nossa esperança. O futuro não é uma ameaça; é uma meta que ressoa já no itinerário da vida: «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9,2).
Mi. Missão. É Mirar. Apontar o nosso olhar até percebermos o milagre. Há muitas maneiras de olhar. Podemos fixar-nos nas recordações, na nostalgia e na saudade… Mas também podemos fixar-nos nas pessoas que estão cheias de sonhos; vermos processos de nascimento e de crescimento; vermos a vida escondida que começa a revelar-se. O Natal é o tempo de termos os olhos bem abertos porque «Nesse dia, os surdos ouvirão as palavras do livro, e, livres da obscuridade e das trevas, os olhos dos cegos verão. Os oprimidos voltarão a alegrar-se no Senhor, e os pobres exultarão no Santo de Israel» (Is 29, 18-19).
Fa. Fascinação diante do Menino deitado numa manjedoura. Fascinação que nasce desse encontro com o Evangelho, encontro feito fascínio e espanto com o mistério da pessoa e da obra de Jesus Cristo que, mesmo sobre a Cruz, manifesta plenamente a beleza e a força do amor de Deus.
Fascinação que leva à alegria de saber que Deus tem a última palavra. Que Deus revela a sua justiça e a sua glória, mas que só o olhar cristalino do coração consegue maravilhar-se diante do Menino que nasceu para nós.
Sol. O Sol que nasce das alturas e que se transforma em solidariedade é o outro nome do Natal. Especialmente em tempos de crise. Sabemos que o futuro está nas mãos de Deus. Que o seu tempo e a sua fidelidade não estão esgotados. Vivemos sob a sua palavra criadora e ressuscitadora. A Palavra fez-se carne e habitou entre nós, diz S. João. Esta palavra recria a existência e chama-nos a descobrir novos horizontes; estimula-nos a amar. Sabemos que o amor é o que faz viver e que dá vigor à vida. É o amor que nos faz cantar juntamente com os anjos: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens» (Lc 2, 14).
La. Não de lamúrias mas de labaredas de alegria: «Assim que o viram começaram a contar o que lhes tinha sido anunciado sobre aquele Menino. E todos os que ouviram se admiravam com aquilo que os pastores lhes disseram» (Lc 2, 17-18).No Natal reconhecemos a mais-valia do amor sobre a nossa história e descobrimos que é a alma mais íntima de toda a realidade, a sua respiração e o seu alento vital.  É o amor que nos faz entusiasmar pela profundidade e pela beleza da nossa fé. É ele que nos impulsiona a transmiti-la aos vizinhos, aos filhos, aos netos, às gerações futuras.    
Si. Sim. É a grande palavra do Natal. É a nota musical que reúne todos os “sins” da nossa história e da história bíblica. Em primeiro lugar o sim de Deus ao criar o mundo e o homem: o sim de Deus a iniciar uma história de amor com a humanidade inteira. O sim de Israel a formar parte especial da história da salvação, o sim à sua vocação como povo comprometido com a aliança e com a sua missão de alargar a história do amor de Deus ao mundo inteiro, fazendo-a convergir no Messias Jesus. O sim de Maria como sinal condensado da resposta dos seres humanos aos surpreendentes planos libertadores do nosso Deus. O sim da Igreja em continuar a missão que recebeu de Jesus: Evangelizar. Evangelizar será a nossa maneira de ser, porque é a nossa identidade mais profunda, graça e vocação recebidas, vividas, correspondidas abrindo caminho a todos os homens para Cristo.
Do. Dom da Fé. Neste Ano da Fé, é importante compreender que «a Fé em Deus, neste desígnio de amor realizado em Jesus Cristo, é antes de tudo um dom e um mistério a receber no coração e na vida e pelo qual devemos agradecer sempre ao Senhor. A Fé é um dom que nos é dado para ser partilhado; é um talento recebido para que produza frutos; é uma luz que não deve ficar escondida, mas iluminar toda a casa» diz o papa Bento XVI. A fé não se refere a coisas, a teorias, a ideologias, refere-se a uma pessoa: o Menino que é a Luz do mundo, o Sol que ilumina tudo e todos. «Tudo se define a partir de Cristo».  

Solfejai estas notas e que este Natal leve cada um a seu modo a cantar melodias de Amor e de Paz. 

Desejamos a todos os nossos amigos, colaboradores e benfeitores um FELIZ NATAL cheio de bênçãos de Deus. Que o Novo Ano de 2013 seja um Ano de MISSÃO e de Fé.

Texto: P. António Lopes, SVD
Foto: OMP



sexta-feira, 30 de novembro de 2012

ADVENTO, TEMPO PROPÍCIO PARA VIVER A MISSÃO E TRANSMITIR A FÉ



A partir do próximo Domingo entramos no tempo do Advento. O Advento é mais espiritual que cronológico, porque mais do que um tempo, é uma atitude. Não estamos em Advento porque calha, mas porque queremos cultivar a esperança. É precisamente isso que fazemos com a coroa de advento. Nos braços da natureza de Outono colocam-se quatro velas que se vão acendendo progressivamente ao ritmo das semanas que faltam para o Natal. E se neste tempo caiem as folhas das árvores, nós acendemos velas de ilusão. Quer dizer, levantamos a esperança. Enquanto há vida há esperança, dizemos nós. Mas também podemos dizer, enquanto há esperança há vida. Sempre estamos à espera do menino que vai nascer. A vida é parto. Algo novo e melhor tem que suceder; algo novo e melhor tem que te suceder a ti. E sempre estamos à espera do MENINO que vai nascer. MENINO com maiúsculas. Oxalá rasgasses os céus e descesses! (Is 63,19), rezamos nós. Parece um sonho, mas o céu rasgou-se e o céu fez-se Menino. O céu e a terra abraçam-se para sempre. Já não há nada que temer. Já estão permitidos todos os sonhos. Com crescente confiança daremos testemunho do Evangelho do Senhor.

Texto: P. António Lopes
Foto: Lusa

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

CARTA DA ESPERANÇA - FÓRUM ECUMÉNICO JOVEM



Mais de 200 jovens, vindos de todo o país, responderam ao convite das Igrejas Católica, Lusitana, Metodista e Presbiteriana e participaram no XIV FEJ, realizado no Colégio Salesiano do Porto, a 10 de Novembro.
O evento abriu com uma celebração ecuménica, a que se seguiram workshops sobre ‘retratos da realidade juvenil no mundo social, universitário e laboral’. Após almoço de confraternização, a tarde foi marcada por grupos de reflexão sobre ‘os caminhos da esperança’, havendo um espaço especial para os mais jovens.
Na celebração de envio, foi lida e assinada a ‘Carta da Esperança’, que está disponível em www.ecumenismojovem.org.

Carta da Esperança

Os jovens cristãos reunidos no XIV Fórum Ecuménico (FEJ 2012), apoiados pelos seus hierarcas presentes, aceitam viver este tempo tão particular da sociedade portuguesa como um momento de esperança.
Interpelados pela exortação bíblica “Valoriza a juventude que há em ti!” (1 Tim 4,12), os jovens presentes descobrem-se chamados a valorizar os seus dons, num mesmo compromisso e animados pela mesma esperança. Por isso…  
Somos chamados à comunhão, e queremos viver na esperança de um dia superarmos as divisões que ainda existem entre nós.
Somos chamados à missão, pois temos a esperança de anunciar juntos, de forma credível, pela palavra e pela ação, a mensagem do Evangelho.
Somos chamados a construir mais justiça, pois mantemos acesa a chama da esperança de vivermos num mundo onde todas as pessoas serão respeitadas na sua dignidade.
Somos chamados ao compromisso por uma Europa mais humana e social, onde vençam os direitos humanos, a paz, a liberdade, a tolerância, a participação e a solidariedade entre todos.
Somos chamados ao perdão, com a esperança de resolvermos pacificamente todos os conflitos.
Somos chamados a uma cidadania responsável, com a esperança de combatermos o desemprego, a discriminação racial, a xenofobia, a exclusão.
Somo chamados a uma consciência ecológica, com a esperança de que o nosso mundo será sustentável e a mãe natureza a casa comum de todos.
Somos chamados a servir, vendo em cada pessoa uma irmã ou um irmão, com a esperança bíblica de que é dando que se recebe.
Somos chamados a espalhar a alegria de sermos filhas e filhos amados de Deus, para encontrarmos um sentido para a vida mesmo nos dias mais cinzentos.
Somos chamados a despertar e a procurar Deus com a esperança de que um dia encontraremos o Seu olhar de ternura.
Somos chamados a ser sal e luz com a esperança de que Cristo dá sabor às nossas vidas e ilumina os nossos caminhos.
Somos chamados a dar de graça porque de graça tudo recebemos das mãos de Deus.
Somos chamados à simplicidade de vida, para que o essencial resplandeça nas nossas opções e no nosso jeito de ser.
Somos chamados a gritar bem alto a nossa esperança porque, mesmo em tempo de crise profunda, quem a Deus tem nada lhe falta, pois só Ele basta.

O ecumenismo continua…

A próxima etapa da vivência ecuménica será a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, de 18 a 25 de Janeiro.

Tony Neves
Equipa Ecuménica Jovem

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

DESTE PARA OUTRO...MUNDO - Exposição Missionária virtual


http://www.exposicaomissionaria.org/


Foram muitas as pessoas que, durante seis meses, passaram por Fátima, Portugal, e se deixaram encontrar pela exposição missionária: Alarga o espaço da tua tenda. Foram experiências e missão a acontecer!
Há porém muita outra gente que não passou por Fátima. Entre esta estás tu que viajas por caminhos até há pouco desconhecidos, e você que se deixou apaixonar ou precisou de percorrer estes caminhos que levam a outros encontros e a outros mundos.
É por isso que fazemos esta proposta: caminhar pelo virtual. Está aí para ti, para si, a possibilidade de entrar nesta exposição missionária e alargar a tua/sua tenda. É a possibilidade de mais um encontro.
É só entrar (Enter) e… descobrir… e convidar outros.

P. Alberto Silva



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

IDE PELO MUNDO INTEIRO E ANUNCIAI O EVANGELHO



Estamos a poucos dias do Dia Mundial da Missão, o próximo domingo dia 21. Um dia que nos é dado como uma boa ocasião para revigorar a fé. A fé que nos faz rasgar horizontes, derrubar barreiras e ver a vida como um dom de Deus. Um dom que queremos anunciar.

«Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho» (Mc 16, 15). Este foi o mandamento explícito do Senhor aos seus discípulos antes de subir ao céu. Através dos séculos os cristãos escutaram estas palavras e acolheram-nas. Cada geração deve escutar e acolher este mandamento missionário de Cristo e é a nós, hoje, que compete fazê-lo nas circunstâncias históricas em que vivemos.

Acreditar, para os primeiros cristãos, não era nem um suplemento, nem uma realidade supérflua da sua existência. Era algo de decisivo. Eles viviam com a consciência clara de serem a luz do mundo e o sal da terra, e que a Boa Nova do Evangelho era o fermento no meio da massa de uma sociedade pagã. 

Ide, significa ir ao encontro dos outros. Ir à sua procura. É preciso encontrar o homem que perdeu o caminho do seu ser cristão. Ir para evangelizar o vasto mundo do trabalho, da cultura e da sociedade para que cada uma das profissões sejam exercidas com justiça e caridade evangélicas.

Ir significa começar a viver um cristianismo dinâmico  cheio de zelo para não o deixar reduzir às cinzas de uma fé rotineira ou de algumas práticas religiosas sem vida. De qualquer posto de trabalho e de todo o lugar, o cristão que experimentou a amizade de Cristo, viverá sempre com o ardente desejo de o dar a conhecer indo ao encontro do homem que sente sede de Deus.

O Evangelho não se anunciou de uma vez por todas na história. Ele tem de ser proclamado com ardor em cada época. Pertence-nos a nós proclamá-lo com vigor e com paixão na nossa época.

Mas não basta sair à rua ou empregar novas fórmulas de apostolado se no interior de cada um de nós não pulsar um coração de apóstolo. É necessário, antes de mais, formar um coração apostólico. É preciso lembrar que se é apóstolo a partir do interior e que não são as circunstâncias exteriores que nos constituem como tal. Não somos apóstolos porque exercemos uma responsabilidade, uma actividade apostólica ou um ministério, nem porque desejamos vagamente fazer qualquer coisa pelos outros. Somos apóstolos por vocação, porque Jesus Cristo nos chamou a levar ao mundo inteiro o seu Reino de paz, de justiça e de amor. Somos apóstolos, cada um de nós, na medida em que estamos unidos a Cristo pela graça do baptismo e nos identificamos com a sua missão redemptora.   

A urgência do apostolado vem do interior, do amor que cada um professa na sua relação com Cristo. Se não existir um amor verdadeiro por Cristo e pelo próximo, não existe apóstolo autêntico. Ser apóstolo é a componente essencial do cristão. É por isso que anunciar o Evangelho não é uma tarefa ao lado de muitas outras. É a missão à volta da qual o cristão deve polarizar a sua vida. Não se é apóstolo a determinadas horas e a determinados dias. Toda a vida do cristão é uma vida apostólica porque cada momento da vida é uma ocasião propícia que Deus lhe oferece para a anunciar o Evangelho de Jesus e proclamar a vinda do seu Reino.

Que este dia Mundial da Missão seja para todos nós a ocasião propícia de renovarmos o nosso ser apóstolo do Reino de Deus. Sentirmos em nós o desejo ardente que todos os homens conheçam Jesus Cristo para que depois, com toda a liberdade e clareza de espírito possam dizer: "Eu também quero ser de Cristo".

Que através das vossas orações e dos vossos dons generosos, o Reino de Deus possa chegar a toda a humanidade. 

« Hoje não é o momento de esconder o Evangelho, mas de o gritar sobre os telhados» (Cf. Mt 10, 27 ).

Texto: P. António Lopes, SVD
Foto: Tony Neves