A partir do próximo
Domingo entramos no tempo do Advento. O Advento é mais espiritual que
cronológico, porque mais do que um tempo, é uma atitude. Não estamos em Advento
porque calha, mas porque queremos cultivar a esperança. É precisamente isso que
fazemos com a coroa de advento. Nos braços da natureza de Outono colocam-se
quatro velas que se vão acendendo progressivamente ao ritmo das semanas que
faltam para o Natal. E se neste tempo caiem as folhas das árvores, nós
acendemos velas de ilusão. Quer dizer, levantamos a esperança. Enquanto há vida
há esperança, dizemos nós. Mas também podemos dizer, enquanto há esperança há
vida. Sempre estamos à espera do menino que vai nascer. A vida é parto. Algo
novo e melhor tem que suceder; algo novo e melhor tem que te suceder a ti. E
sempre estamos à espera do MENINO que vai nascer. MENINO com maiúsculas. Oxalá rasgasses os céus e descesses! (Is
63,19), rezamos nós. Parece um sonho, mas o céu rasgou-se e o céu fez-se
Menino. O céu e a terra abraçam-se para sempre. Já não há nada que temer. Já
estão permitidos todos os sonhos. Com crescente confiança daremos testemunho do
Evangelho do Senhor.
Texto: P. António Lopes
Foto: Lusa
